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Liquidez corrente e liquidez seca: os indicadores que mostram se a empresa aguenta pagar as contas

  • Hamilton Trecco
  • 29 de jul.
  • 2 min de leitura

Nenhum dono de PME acorda pensando em índice de liquidez, mas quase todos já sentiram na pele o que esse número mede: a diferença entre ter dinheiro disponível e ter patrimônio no papel. Liquidez corrente e liquidez seca são dois indicadores calculados a partir do balanço patrimonial que respondem a uma pergunta direta. Se todas as contas de curto prazo vencessem amanhã, a empresa teria como pagar?

Liquidez corrente é o ativo circulante dividido pelo passivo circulante. O ativo circulante reúne tudo que a empresa pode transformar em dinheiro dentro de doze meses, como caixa, aplicações, contas a receber e estoque. O passivo circulante reúne tudo que vence no mesmo período, como fornecedores, empréstimos de curto prazo, impostos a pagar, folha e encargos. Um resultado de 1,5 significa que, para cada real de dívida de curto prazo, a empresa tem um real e meio em ativos que podem virar caixa dentro do mesmo horizonte. Abaixo de 1, a leitura já é de alerta. Existem mais compromissos vencendo do que recursos para cobri-los, mesmo somando o que ainda está em estoque ou a receber.

O problema da liquidez corrente é que ela trata estoque como se fosse dinheiro pronto para uso, e estoque raramente é. Vender estoque leva tempo, depende de demanda e, em setores como moda, alimentos pereciveis e tecnologia, carrega risco real de perda de valor. É aqui que entra a liquidez seca, calculada da mesma forma, mas excluindo o estoque do ativo circulante: ativo circulante menos estoque, dividido pelo passivo circulante.

A diferença entre os dois números conta algo importante. Uma empresa com liquidez corrente de 1,8 e liquidez seca de 0,6 mostra que sua capacidade de pagar as contas depende quase inteiramente de vender estoque, não de dinheiro ou recebíveis já em trânsito. Isso é comum em comércio e indústria, mas exige atenção redobrada à velocidade de giro daquele estoque. Se ele girar rápido, o risco é menor. Se girar devagar, a distância entre os dois indicadores vira sinal de fragilidade real de caixa, mesmo que o balanço pareça saudável à primeira vista.

Um exemplo hipotético, sem relação com dado de mercado real, ajuda a visualizar o cálculo. Uma empresa com R$ 400 mil em ativo circulante, sendo R$ 250 mil em estoque, e R$ 200 mil em passivo circulante, teria liquidez corrente de 2,0 e liquidez seca de 0,75. O primeiro número, isolado, passaria impressão de folga financeira. O segundo mostra que, sem contar o estoque, a empresa cobre apenas 75% das obrigações de curto prazo com recursos já líquidos ou quase líquidos. Calcular os dois indicadores lado a lado, e não só um deles, evita essa leitura otimista demais do próprio caixa.

Fontes: nenhuma fonte externa de dado quantitativo citada neste texto. O exemplo numérico é hipotético e está declarado como tal no corpo do texto.

 
 
 

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