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Consórcio: como funciona o crédito sem juros que exige paciência

Hamilton Trecco
11 de jul.
2 min de leitura

Consórcio é um sistema de compra coletiva. Um grupo de pessoas ou empresas se reúne, cada uma paga uma parcela mensal, e o valor total forma um fundo comum usado para entregar cartas de crédito aos participantes, um de cada vez, até que todo o grupo tenha sido contemplado.

A contemplação, que é o momento em que o participante recebe a carta de crédito para usar na compra do bem, acontece de duas formas. Por sorteio, mensal e obrigatório dentro do grupo, ou por lance, que é a oferta de antecipar parte ou o total das parcelas futuras para furar a fila. Quem não é sorteado nem dá lance segue pagando até o fim do prazo do grupo, quando todos já foram contemplados.

A diferença central em relação a financiamento é que consórcio não cobra juros. A administradora cobra uma taxa de administração, diluída nas parcelas, que remunera o serviço de gerir o grupo e o fundo. Sem incidência de juros, o custo total do consórcio costuma ficar abaixo do financiamento tradicional, mas a contrapartida é a falta de previsibilidade sobre quando o bem chega às mãos do participante. Quem entra em um grupo pode ser contemplado no segundo mês ou perto do último.

Para a PME, consórcio funciona bem quando a compra não é urgente. Uma indústria que planeja trocar uma frota de veículos em três anos, ou ampliar o parque de máquinas sem pressa, consegue usar o consórcio para reduzir o custo financeiro do investimento, desde que tenha caixa para sustentar as parcelas mesmo sem o bem em mãos. Já uma compra que precisa acontecer em prazo certo, como reposição de equipamento que parou de funcionar, não combina com a lógica do consórcio.

Antes de entrar em um grupo, vale conferir três pontos no contrato: o percentual da taxa de administração, que varia de administradora para administradora e deve estar explícito, o prazo total do grupo, e as regras de lance, incluindo se existe lance embutido, que usa parte do próprio crédito contratado para antecipar a contemplação. Administradoras de consórcio no Brasil são autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central, o que reduz o risco de fraude, mas não elimina a necessidade de comparar taxa e condições entre diferentes administradoras antes de assinar.

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